domingo, 21 de setembro de 2008

Catarze

Porque eu precisava dizer que eu estou aqui, meio de longe, olhando.

Porque ver sua janela subindo e não falar dói.

Porque imagino conversar com estranhos que talvez fossem palhaços... e eu não consigo falar...

Porque a foto na janela é linda

Porque a maquiagem é ..... bem, bom...um dia talvez eu comente


Porque eu queria dizer :Boa prova



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 24 de agosto de 2008

Pela porta da frente

Eu sofro sofrimentos do passado, quase renegados que encontram um cantinho na felicidade do presente pra se apresentar.

Sofro como outros sofrem, mas sofro sozinho e acompanhado. E até acho que começo a gostar desse mau olhado.

Mas que meus fantasmas não ocupem um lugar certo, que eles saiam porta afora. Porque há vida aqui e precisa de espaço pra se mecher.

Porque aos poucos as portas se abrem. E dá medo da luz que pode entrar.

Com calma agente chega lá. Mas se eu cair, não me deixe desistir.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

terça-feira, 8 de julho de 2008

Encruzilhada de dedos

Pensava no que escrever. Decidi. Ia escrever um texto sobre decisão. Falava sobre a falsa história de primas minhas que não conseguiam decidir. Falava que eu achava que o sim ou o não nem fazia tanta diferença assim (que me perdoe Paulo Coelho). Falava mais um monte de baboseiras que nem fazem muito sentido agora.

Decidi apagar o texto. Descobri que às vezes decidir não é a questão. E pouco me importa (mentira, me importa um pouquinho sim) qual a sua decisão. É que agente decide o que é de verdade na ação, no silêncio, assim no miudinho, juntinhos. Que o sorriso seja a moeda da escolha. Que o cara ou coroa dê impar, que agente seja sempre par.

Que seja feita nossa vontade. Assim na terra como em qualquer outro lugar.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

terça-feira, 24 de junho de 2008

Resquicios de um sono mal dormido.

Pensamentos automáticos que batem em qualquer lugar, em geral não bem-vindos, como provas, pontos de ônibus, forrós e em pé no banheiro.



- Existe uma diferença cardiaca muito pequena entre a angustia e o gostar. Fico mais ou menos no meio dela.

- Tem gente que acha que não entende a diferença entre judeus e muçumanos. Entre xiitas e sunitas. Eu, por outro lado, sofro por não entender a diferença entre simpatia e interesse.

- Não existe lugar para se sentir mais diferente do mundo do que um show de forró e você não quer enfiar sua lingua na güela de ninguem.



Marcel Santiago Soares

-psicólogo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Comandos em Ação

Sou desses bonecos articulados, maleaveis e engraçados. Desses que se guarda na estante ou que fica na pilha com vários outros quebrados.

Sou dos que se suja na brincadeira, se machuca na presepeira. Sou desses bonecos baratos, mas que se gosta por tar do lado.

Sou qualquer brinquedo. Mas, por favor, não brinque comigo que eu sou só carne e sentimentos, não brinque que dói e tenho medo.





Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Canelando

Não sou um homem muito açucadaro, prefiro mesmo os salgados. Mas nos ultimos tempos eu me descobri gostando de doce. Não desses doces pré moldados, industrialmente fabricados sem graça e com embalagem colorida.

Gosto de um doce caseiro. Desses que a embalagem é bonita por ser simples, em que agente guarda na mesa e nem meche, fica só admirando. Doce de canela imaginando o sabor e o odor ( e quiçá a dor do ardor) mas ainda assim nem meche.




E, como criança, por um impulso se tira o doce da mesa... e , como criança, o doce escorrega e quase cai. Sobra só medo infantil de que o vaso tenha quebrado.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Esquizofrenia matutina

Escutou a voz e acentiu com a cabeça. Concordava e era quase impossível discordar. Não era desses sujeitos que vêm coisas, nem dos que escutam vozes mandando fazer algo. Não, era na verdade desses sujeitos normais. Normais mesmo, quase sem graça. Mas de vez enquanto, quando trancado no banheiro fazendo essas coisas que só se faz no banheiro (caretas, moicanos punks de condicionador e cuspir água do chuveiro) ele mudava. Mudava mesmo. Sério. Digo mesmo. Bom, se não acredita que mude a página, mas que mudava mudava.

Bom, voltemos a mudança: ele mudava. E era nessas horas que escutava a voz dizendo o quanto era idiota, ingênuo e patético. Que sempre fora e todos percebem isso. Lá, nessas horas, ele escutava as coisas que ninguem gosta de ouvir. E escutava muito mais, mas por pena do pobre coitado que fique só registrado que ele escutava, e mudava.

Da última vez ele escovava os dentes quando, no momento delicado da passagem do canino para o pré-molar ele percebeu. Não só percebeu como quando abriu a boca já escutou. Foi quando disse para si mesmo que, de repente, ela estava sendo só simpática e , de repente, ele estava sendo só e de novo idiota.

Foi dizendo isso que, novamente, teve vergonha alheia de si mesmo.

E continuou escovando os dentes, sendo um idiota sorridente.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 25 de maio de 2008

Da sina da espera ou Ensaio sobre qualquer palavra sua.

Das moções do apaixonado, das coisas que lhe movem aquela que mais o fazem (ou fazem mover no mesmo lugar) é a resposta. Quer dizer, a espera.

Depois de finalmente mecher-se (convenhamos que tal ação é planejada durante tempos) nosso herói espera a resposta. Nem precisa pergunta. Não existe coragem para perguntar. A resposta é outra ação. Qualquer ação. Qualquer mesmo. Sério. Por favor, diga a ela que faça alguma coisa. Por favor...

Na espera infinita de um recado, uma mensagem, uma fofoca, o enamorado corre, torce, morre no próprio eixo. Reverbera em cada/todas as moléculas a tensão de esperar. Ah, como enlouquece ele, achando que o mundo prega peças e dessas peças de teatro mudo, silencioso e dissimulado. Ali está a noticia, com certeza. Certeza? ...certeza..?...é, tomara.

Ah, esses seres pacientes. Tão pacientes que se comem de angústia.

Corre uma lenda que existe um modo de sobreviver ao martirio, porém segredos assim são guardados a sete chaves. Mas... aqui entre nós...sabe-se apenas que os poucos sobreviventes escrevem hoje em blogs sobre suas sinas.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Reset

Meu computador quebrou, e foi a mais ou menos tanto tempo que nem lembro. Sem o reloginho do canto direito inferior eu fico perdido. Perdido mesmo. Sem a janelinha do msn subindo não sei da existencia das pessoas, nem do estado de espírito pelo nick delas. Não sei quem gosta de mim por não saber que quis deixar um recado no meu orkut.

Perdi também a impressão que tinha de cada uma delas. Ficou tudo mais confuso do que já era antes. Sabe aquela menina que tem uma foto meio de lado, num angulo estranho que você só tira porque a câmera é digital e não precisa pagar a relação da foto? Pois é...achava que ela era tão interessante, diferente, alternativa, legal e mais alguns adjetivos bons. Mas vista de um angulo normal...ea ficou tal ... normal!

Não sei o quanto sou sexy, e como deixei de escrever aqui também não sei o que penso sobre as coisas. Fiquei parado, travado, quando percebi que tinha saido para dar uma volta. Demorou um pouco para perceber que poderia recomeçar sem ctrl + alt + del.

Por fim, tive que olhar meu profile para saber qual era meu nome.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 20 de abril de 2008

Parada estratégica para pensar.

-Com licença. Vou ali e volto já.

[...]

-Pronto, voltei. Vamos continuar?




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 5 de abril de 2008

Riso de canto de boca

Acho graça daqueles que, de graça, acham que graça é o que tenho para oferecer.

Acho cara aquela graça quase forçada de quem, meio sem graça, quer se engraçar com meu prazer.

Acho pouco daqueles bobos que, desembestadamente, gracejam de um louco.

Acho nada. Louco não é bobo.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 3 de março de 2008

Zig-Zag-ando

Levemente mechia o dedo nas pedras de gelo que boiavam na bebida cor de vinho. Ao fundo, via seu reflexo e pensava em babozeiras demais para se falar. Via as cores e os sons passarem depressa demais, e talvez por isso não desse importancia suficiente.
Ao mesmo tempo, como se o tempo não se importasse com o excesso de sensações, ele acariciava o rosto e falava sobre coisas que seriam interessantes só para ele. Ao final de muitas frases vazias, ele já tonto decide se levantar. Cansado.
Ela, por sua vez o vê derramar o resto da fanta uva no chão e ir dormir.

Caminhava torto porque pendia de emoções.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 17 de fevereiro de 2008

!!mubaC

É, em geral, quando agente quer que tudo exploda que a coisa implode.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Replay

Na cena ao lado do computador a protagonista/vilã (caracteristicas que parecem se chocar) acaba de voltar a vida. Na realidade ela voltou a vida ontem, hoje é apenas uma reprise de sua morte.

Se dá pra morrer mais de uma vez? Depende de quantas vezes se entrega. Depende de uma série de coisas, incluindo a cotação do dollar que anda variando muito e bala hoje em dia está ao preço dos olhos.

Agora o antagonista/vilão tenta matar a protagonista/vilã enquanto prende a coadjuvante/boazinha! Ah, que confusão é morrer.

Acabo achando que esse povo na novela nunca se apaixona.
E agente ainda quer ser igual a eles...


Marcel Santiago Soares
-psicologo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

No sal grosso

Quando penso em você choro.
Choro lagrimas salgadas que é pra temperar sua pele.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Na ponte do rio que cai

Às vezes eu gosto de relativizar. Sentado na mesa da lanchonete penso no garçom que serve a todos. Penso nos amigos na mesa ao lado e em quantos amigos já passaram por ali. E que para o garçom não existe nenhuma diferença entre nós a não ser o insistente desejo por ausencia de ervilhas da minha parte.

Às vezes eu gosto de ser tirano. Totalitário mesmo. Acordo e tenho a completa certeza que o mundo esta um pouco mais cinza ou verde-alaranjado graças ao meu humor matinal. E que eu alucino a existência de muitas coisas, incluindo a desde escrito ou de qualquer pessoa que possa lê-lo.

Às vezes eu estou nem lá nem cá. Nessas horas eu escrevo.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 5 de janeiro de 2008

Atrazos de vida.

No sol quente do ponto de ônibus ele, tão sóbrio de suas emoções, respira profudamente. Puxa o ar com tal calma- até o fim- que depois de sentir-se momentaneamente completo, esvazia-se.


Marcel Santiago Soares
-psicológo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Conversas de internet.

Ao contrário do que se pensa o amor esta cheio de razão.
Cabe ao enamorado procurar razões nos seus sentimentos, nas ações indefinidas, na angustia repentina. Procura razão naquilo que não controla, para assim entender o funcionamento e saber como agir.
O enamorado procura disfarçar aquilo que o faz enamorado. Tenta enganar-se para não mostra aos outros seu estado patetico de ser que não se controla. O enamorado é vulneravel e exatamente isso que o faz enamorado.

Dai a razão no/do amor. Procurar o controle para depois perder-se.


ps: o autor está excessivamente influenciado por outros autores franceses e gosta de admitir isso.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-