quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Preparar! Apontar! Já!

O ano começou e nesse exato momento zeraram o cronômetro. O cara lá em cima gritou "vai!" e lá embaixo o outro botou o pé pra gente cair já na largada.

Começou! Doze meses para ser qualquer coisa. É impressindível que se mude. Nunca ouviu-se falar em alguém que não mudasse na passagem de ano. As opções são as seguintes:

CENA 1
Marido empolgado entre na porta sorrindo
-Carlos, é você?
-Amor, decidi minha resolução de ano novo!
-O que? Vai parar de beber? Fazer regime? Ah, vai pedir aquela promoção? Deixar mamãe morar conosco? Me dar seu cartão de credito? Hum... Carlinhos... vai fazer amor comigo mais de uma vez na semana?
-Como! Não, não. Escuta só, tive a ideia mais genial do milênio - depois do miojo é claro-. Esse ano desejarei não mudar. Vou continuar o mesmo gordo, preguiçoso, patetico, masturbador de internet de sempre! E ai? Hã?
-Mas querido, qual a graça de virar o ano e não mudar nada? É como comer e não expludir no natal! É quebrar a tradições! E o que é uma familia sem tradições? O que é, me diga senhor Carlos, me diga!Pense bem no que o senhor esta fazendo!
-Você não entende? Eu estou mudando, estou mudando o mundo! Eu mudeio o desejo de ano novo. Para que resoluções impossiveis de se realizar? Vou ser o mesmo e não me frustar esse ano. E adianto que não vou pular ondinhas que aquilo me deixa com uma dor nas costas que você nem imagina!

Carlos, como todos podem imaginar foi devidamente excluido da sociedade e hoje mora em um asilo mental pago pela familia. Ele pode ser encontrado pelos cantos sorrindo de sua grande idéia e usando a mesma cueca a três anos.

CENA 2
Um corpo é encontrado morto em um cais. A policia ilumina a escuridão com suas luzes azuis e vermelhas. No local apenas os mendigos e alguns ratos. No corpo da vítima algumas marcas de luta. A mão firme segurava uma caneta bic quebrada e na outra mão um papel rasgado. Em meio ao amassado apenas algumas letras dificeis de ler:

RESOLUÇÃO DE ANO NOVO

e ao final, quase ilegivel, com o último esforço um "ok" podia ser lido.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Para não dar nomes aos bois.

Escuto o outro falando para mim uma historia repetida, já foi dita várias vezes por outros-outros, nos cinemas, nos livros. Mas a historia só se repete porque eu já a vivi.
Descubro em meio as suas frases que a historia não tem fim. Parece um ciclo, mas ele possue uma vaga ideia de um começo. A história é sua dor e a dor é sempre presente.

O outro fala do seu objeto de amor, daquele que foi embora e deixou nele não a dor ( essa vem depois), deixou seu amor pairando no ar e o deixou com a cara de idiota que só os que ficam com o amor pairado no ar possuem (talvez porque a mistura das moleculas de ar com essa energia d'lamur produzam alguma substancia invisivel ao olho nu que reaja com o colegeno da face, produzindo a conhecida em todas as culturas cara-de-bobo).

O objeto de amor foi. O amor que flutuava em sua direção caiu no chão e o enamorado fita o chão paralizado, esperando que de repente, ALAKAZAM, o amor volte a flutuar e continuar sua tragetoria.

O amor, sem objeto contorse-se no chão, luta para manter-se vivo, precisa de objeto, como um peixe fora d'agua sofrendo para respirar ( O amor aqui é uma criança perdida no shopping, desesperadamente verdadeira). O outro enamorado é um sadico, olha passivo o amor esvair-se até que não possua mais nada. O objeto não é nada, já foi embora a muito tempo.


O enamorado descobre depois de muitos anos que o amor não vai se mecher. E quando percebe que é o objeto para quem deve olhar, bem... só encontra pegadas apagadas no chão...




O enamorado, furioso escreve coisas sem sentido, tentando dar sentido a seus sentimentos.





Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Entre uma gota e outra

Pensamentos de chuveiro:

- O problema em ser inteligente, é que quando se esta apaixonado você é um completo idiota.

-Se um dia eu tiver força suficiente vou tentar mudar minha vida, fazer algo, me mecher, malhar, fazer algumas abdominais, correr, estudar um pouco mais, ter aulas de francês, ler a Divina Comédia, vou provocar mudanças, tomar novos rumos, ser alguém! Mas o que é que vai passar na tela-quente hoje mesmo?

-Tenho que parar de beber.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

fim.

depois quase-tudo, é por quase-nada que agente desmorona.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Shiii!!

Era de noite. Noite fresca , a tv ligada acoava um chiado qualquer para que ele não sonhasse com o silencio. O silencio o incomodava, o silencio era o simbolo da morte e da vida dos seus pensamentos mais ocultos. LUtava para não escutar o silencio. Antes de dormir ligava a tv, antes de sair de casa ligava o radio só para que quando chegasse, ter a impressão de alguem que o amasse.

LIgava em radios envangelicas, porque não escutava muita música. Geralmente sermões, e sentia que o sermão era ligado diretamente à ele. As vezes a tv quebrava. Nessas horas, só o barulho do computar ligado já era suficiente para deixa-lo menos angustiado.

Sonhou, certa vez, com uma paz sem igual, um branco, leve brisa silenciosa refrescante... Acordou suado com o coração engasgado na boca, e o gosto de medo na boca do estomago.

Uma vez, como era de se esperar, faltou energia. E ele, como era de se esperar, morreu.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 1 de dezembro de 2007

Com os dedos Cruzados

" Inclina teus lábios sobre mim
E que ao sair de minha boca
Seja o que Deus quiser."

Livre adaptação de Canção ao gosto Romântico - Diderot




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-