quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Despedida


Pensei em escrever uma crônica sobre a morte. Suas sutilezas, suas desavenças, a atração, o medo. Tudo o que desse.

Não.....
...............................deu.





Isso foi só pra dizer adeus.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 27 de janeiro de 2007

Acerca das comidas que bóiam


Água deve ser o ingrediente principal da vida. Todo livro de ciências tem que falar que o corpo humano é feito de 70% de agua. O planeta tem cerca de 80% da sua superfície coberta de água, ao menos eu acho... Desculpem-me se errei as porcentagens, mas nunca me importei muito com água.

Admiro pessoas que bebem dois litros de água por dia. Eu, por exemplo, prefiro a coca, a guaraná ou até o suco de melancia, mas dois litros de qualquer coisa é muito. Mas tudo bem, pelo bem da saúde, do bem-estar e pra não escutar meu médico falando sobre isso de novo, eu bebo.

Tudo bem, mas tem coisas que não da pra agüentar. Simplismente não dá. É desumano, nojento, pavoroso. Enfim, uma merda boiando no mar... que é muita, muita agua.

Vejamos, receita pra se fazer algo nojento:

*arranje muita carne, de muitos tipos diferentes, de preferência das partes mais grotescas de um animal e que ninguem normalmente comeria como lingua, rabo, orelha.
*corte em pedaços que ninguem vai reconhecer ou pensará que reconheceu.

Dica do Chef: Aproveite e economize colocando carnes de vários animais diferentes. Gatos, e cachorros são uma boa pedida.Garanta apenas que todas as partes serão carne vermelha.

*Junte feijão preto. não importe-se acaso o feijão esteja podre. A comida não estará diferente...

*Ao final coloque muita água. Água a vontade. E cozinhe.

Pronto! Vejamos o que sobrou? Pedaços de coisas irreconheciveis, com grãos que você jura (ou reza pra ser) feijão, boiando em um troço preto. Não dá pra saber o que você esta comendo.

Um dia desses eu fui a um restaurante e sobrou apenas estragonoff no cardápio. Primeiro, eu pensei que iria comer algo que não consigo escrever direito... Já que fome é um dos principais instintos junto com o medo (e devo dizer que eles lutaram prar tomar conta de mim) então vamos lá.

A descoberta foi que a carne que deveria vir não veio.
Já a água...


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Leite de Colônia

Existe uma dor indescritível. Eu até poderia descrever, mas poucos entenderiam e assim continuaria sendo indescritível. Não falo do amor, essa dor que só poetas e amigos de mesa de bar descrevem com veemência. Por sinal, acho que todo bom poeta é um bêbado inveterado... O que não seria de Drummond se não fosse aquele conhaque, naquela noite com aquela lua deixando ele sentimental?

Mas não é de amor que eu falo, muito menos de anjos tortos. E de um outro torto. Um torto que teima em pular, correr, gritar, e as vezes ficar mudo. Jogar as coisas pra cima só pra que elas não caiam, andar em uma bicicletas pela metade, um sapato enorme e sobretudo usar aquele nariz vermelho ridículo. Um ridículo por natureza.

Todo mundo sabe da palhaçada que é isso tudo. Alguns amam, outros odeiam e muitos tentam futilmente ignora-los, mas uma coisa é certa: todos olham. É como uma regra que Deus fez, o décimo primeiro mandamento: "Não desviarás o olhar".

Mas e depois?

Um dia vou tomar um conhaque no meio da noite e fumar um charuto. E vou tentar em vão descrever a tortura que é limpar o sorriso de um torto.

É o fim? É o fim?




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Uma carta em uma garrafa

Uma vontade de falar incrivel. Só não é maior do que o sono de quem escreve, e dependendo da hora, do sono de quem lê.
Na procura de um ouvinte vou ao msn. Triste perceber que não há ninguem com quem eu possa compartilhar minhas loucuras. Só queria uma conversa maior do que um " E ai? foi pra festa/show/tequila/casa de fulano ?" Quero alguma coisa mais do que enxer linguiça (que deve ser uma profissão cansativa e nojenta...).

Nâo recebo recados no orkut. Nem spam no email. Não há para quem ligar.

Sozinho eu escrevo no blog. Na intenção de alguem ler um pouco e eu sentir que conversei.


Percebo então que nunca disse nada.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 13 de janeiro de 2007

Tango


Enquanto eles mantêm seus rostos indiferentes, discretamente os dedos dançam a dança dos corpos.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Sobre minha vontade de contar os meus segredos...

Sobre a minha vontade de contar os meus segredos.
Sobre minha vontade de sublimar
Sobre tudo isso
Eu escrevo. Sobre minha vontade de ser artista. De ser intelectual. De pensar. De sentir. De por os pontos nos “is”.
De tudo isso eu tenho vontade.
De desabafar. De falar. De calar. De chorar. De usar outros verbos que não mais admito. Admitir que minto.
De repetir poesias que não fazem mais sentido. De escrever.
De tudo isso eu sei.
De acabar um texto com um “eu amo você”.
De escutar uma música triste. E ter a imagem de alguém viva. De tudo isso eu quero mais.

Deixo tudo pra depois.

Falta alguma coisa pra terminar o texto.


Marcel Santiago Soares
-psicológo e palhaço de nascença-

sábado, 6 de janeiro de 2007

Trapalhão na Sapucaí


Acredito que tudo que se precisa saber de uma pessoa esta em qual Trapalhão ela gostava mais. Eu por exemplo, odeio Didi. Não que ele não tenha sua graça, mas ela vem à custa dos outros. Dedé era do tipo vingativo, e tentava pegar as mulheres e não conseguia. Zacarias era bem... Zacarias. Não se deve esperar muita coisa de uma pessoa cujo nome é Zacarias. Já Mussum, Mussum era brasileiro. Do tipo que esperava pelo carnaval...

E logo será carnaval. Vai começar todo aquele estardalhaço, o feriado, as escolas de samba, os políticos aproveitando para roubar escondido, o álcool, as festas e tudo mais. Dizem que o melhor carnaval que existe é o do Rio. Milhares de pessoas pagam para se vestir com aquelas fantasias de pavão e desfilar na... Como é o nome mesmo...? Sapucaí!

Todo mundo tem uma escola de samba que torce. E como um time de futebol que só aparece uma vez no ano. Não importa se você sabe quem é o Mestre Sala, o samba enredo, nem quem é o carnavalesco. O que importa é anunciar para todos que a sua escola vai ganhar e, é claro acompanhar a contagem. O esforço máximo por uma escola é a contagem. Não, não é pela excitação, é pelo tédio, afinal agüentar aquele cara citar o nome de todas as 19 escolas soletrando cada silaba e no final escutar “ Es-ta-ção-Pri-mei-ra-de-Man-quei-raa. DEEZ!". Ah, uma tortura apenas compreensível pelo amor e com um pouco de cachaça afinal, ninguém segura esse rojão.

Então tá explicado! Mussum era o mais brasileiro de todos! Depois que Didi pegava as mulheres e jogado fora aconteceria...:

" Mas, eu acabei de ficar com seu amigo..."
“Calma... é carnaval...”.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Rorschach e seus fogos


Ah, o reveillon...

Eu acho essa uma das palavras mais engraçadas do nosso vocabulário, e quem sabe até do mundo, já que é uma coisa global. Tem um fonema todo único, uma mistura de letras que sempre me faz pensar como se escreve "reveioon" antes de escrever. E eu só uso essa palavra uma vez por ano...

Além da fonética peculiar essa palavrinha possui um quê qualquer que me faz gastar o primeiro dia do ano com ela. Não são as milhões de pessoas amoltoadas em praias com areia nos sapatos, nos olhos e em outros buracos (dependendo do nível alcoolico); não é a felicidade geral (quase uma histéria em massa); não é nada disso. São aqueles benditos fogos. Não que eu não ache bonito ver todas aquelas cores pipocando no ar, formando figuras que me lembram Rorschach... é que depois de dois minutos a coisa não passa daquilo. Alguns estouros, uma cor um pouco mais diferente. Nada mais.

Vi no jornal que em Copacabana os fogos duram 16 minutos. Caramba, dessezeis minutos.. eu canso só em escrever isso. Imagino um pai de familia com seu filho nos braços, a outra menininha sentada na areia do chão puxando a barra de sua calça, o irmão bêbado ao seu lado brigando com a mulher, areia fina nos olhos... Dezesseis minutos disso, novecentos e sessenta segundos. E sorriso. Quem já se viu começar o ano com a cara fechada? Sorria, ao menos nos primeiros novecentos e sessenta segundos.

E as pessoas pedem paz...

Eu preciso só de um remédio pra torcicolo.



Marcel Santiago Soares
-psicologo e palhaço e nascença-