Pensamentos automáticos que batem em qualquer lugar, em geral não bem-vindos, como provas, pontos de ônibus, forrós e em pé no banheiro.
- Existe uma diferença cardiaca muito pequena entre a angustia e o gostar. Fico mais ou menos no meio dela.
- Tem gente que acha que não entende a diferença entre judeus e muçumanos. Entre xiitas e sunitas. Eu, por outro lado, sofro por não entender a diferença entre simpatia e interesse.
- Não existe lugar para se sentir mais diferente do mundo do que um show de forró e você não quer enfiar sua lingua na güela de ninguem.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
terça-feira, 24 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Comandos em Ação
Sou desses bonecos articulados, maleaveis e engraçados. Desses que se guarda na estante ou que fica na pilha com vários outros quebrados.
Sou dos que se suja na brincadeira, se machuca na presepeira. Sou desses bonecos baratos, mas que se gosta por tar do lado.
Sou qualquer brinquedo. Mas, por favor, não brinque comigo que eu sou só carne e sentimentos, não brinque que dói e tenho medo.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
Sou dos que se suja na brincadeira, se machuca na presepeira. Sou desses bonecos baratos, mas que se gosta por tar do lado.
Sou qualquer brinquedo. Mas, por favor, não brinque comigo que eu sou só carne e sentimentos, não brinque que dói e tenho medo.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Canelando
Não sou um homem muito açucadaro, prefiro mesmo os salgados. Mas nos ultimos tempos eu me descobri gostando de doce. Não desses doces pré moldados, industrialmente fabricados sem graça e com embalagem colorida.
Gosto de um doce caseiro. Desses que a embalagem é bonita por ser simples, em que agente guarda na mesa e nem meche, fica só admirando. Doce de canela imaginando o sabor e o odor ( e quiçá a dor do ardor) mas ainda assim nem meche.
E, como criança, por um impulso se tira o doce da mesa... e , como criança, o doce escorrega e quase cai. Sobra só medo infantil de que o vaso tenha quebrado.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
Gosto de um doce caseiro. Desses que a embalagem é bonita por ser simples, em que agente guarda na mesa e nem meche, fica só admirando. Doce de canela imaginando o sabor e o odor ( e quiçá a dor do ardor) mas ainda assim nem meche.
E, como criança, por um impulso se tira o doce da mesa... e , como criança, o doce escorrega e quase cai. Sobra só medo infantil de que o vaso tenha quebrado.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Esquizofrenia matutina
Escutou a voz e acentiu com a cabeça. Concordava e era quase impossível discordar. Não era desses sujeitos que vêm coisas, nem dos que escutam vozes mandando fazer algo. Não, era na verdade desses sujeitos normais. Normais mesmo, quase sem graça. Mas de vez enquanto, quando trancado no banheiro fazendo essas coisas que só se faz no banheiro (caretas, moicanos punks de condicionador e cuspir água do chuveiro) ele mudava. Mudava mesmo. Sério. Digo mesmo. Bom, se não acredita que mude a página, mas que mudava mudava.
Bom, voltemos a mudança: ele mudava. E era nessas horas que escutava a voz dizendo o quanto era idiota, ingênuo e patético. Que sempre fora e todos percebem isso. Lá, nessas horas, ele escutava as coisas que ninguem gosta de ouvir. E escutava muito mais, mas por pena do pobre coitado que fique só registrado que ele escutava, e mudava.
Da última vez ele escovava os dentes quando, no momento delicado da passagem do canino para o pré-molar ele percebeu. Não só percebeu como quando abriu a boca já escutou. Foi quando disse para si mesmo que, de repente, ela estava sendo só simpática e , de repente, ele estava sendo só e de novo idiota.
Foi dizendo isso que, novamente, teve vergonha alheia de si mesmo.
E continuou escovando os dentes, sendo um idiota sorridente.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
Bom, voltemos a mudança: ele mudava. E era nessas horas que escutava a voz dizendo o quanto era idiota, ingênuo e patético. Que sempre fora e todos percebem isso. Lá, nessas horas, ele escutava as coisas que ninguem gosta de ouvir. E escutava muito mais, mas por pena do pobre coitado que fique só registrado que ele escutava, e mudava.
Da última vez ele escovava os dentes quando, no momento delicado da passagem do canino para o pré-molar ele percebeu. Não só percebeu como quando abriu a boca já escutou. Foi quando disse para si mesmo que, de repente, ela estava sendo só simpática e , de repente, ele estava sendo só e de novo idiota.
Foi dizendo isso que, novamente, teve vergonha alheia de si mesmo.
E continuou escovando os dentes, sendo um idiota sorridente.
Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-
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