sábado, 25 de agosto de 2007

Reset

Às vezes eu acho que minha vida é um jogo.

Pause, por favor! Ou vai dar pau...


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 19 de agosto de 2007

Dê o sinal que eu quero descer.

Alguem grita! Não se sabe exatamente o que, tampouco quem. Uma buzina serve de sonoplastia e preenche a cena e outros figurantes compões um cenário. Um vendedor de bolos dizendo que seu ingrediente secreto, não mais secreto assim são ovos. Uma mãe que treina a criança a para de sentir fome e chorar assim que ela levanta a mão. Um aleijado que treina as pessoas a lhes dar moedas assim que estende a mão. Um pastor evangélico que canta em alto e não tão bom som os hinos recém lançados na rádio para todos usando megafone. Uma pedra e também um mendigo no chão compõem o cenário.

E isso tudo passa tão rápido quando se está dentro do ônibus.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Chupada de verão

Ando pensando com frequencia que deveria escrever um livro. Como não tenho paciencia alguma para fazer um romance provavelmente escreveria crônicas.

O Segredo de se fazer uma boa crônica:
* um pouco de qualquer assunto do bom e velho dia-a-dia
*fale sobre isso de modo que seja interessante
* mais importante. Esteja com Vontade de falar sobre isso. Eu, por exemplo, não tenho a minima vontade de escrever agora, o que por si só, já daria uma ótima crônica.

Imaginem a estória.

Um cobertor cobre a parte de baixo do corpo dono daqueles dedos. Não é frio, mas os mosquitos teimam em chupar seu sangue. Dizem as enciclopédias que quem chupa o sangue mesmo são os mosquitos fêmeas. Nunca li enciclopédias, muito pouco gramáticas, por isso não sei como se escreve o feminino de mosquito. Pra falar até a verdade, mosquito não existe. Pra mim o nome é muriçoca mesmo. E por favor não confundam com maniçoba. No primeiro se puxa sangue, no segundo agente cospe.

Ele escreve (ou eu escrevo, nesse exato momento não sei bem em que pessoa deve-se redigir o texto), e não parece sair nada de interessante do teclado. Ele culpa a inspiração, a falta de musa na vida, a fome, a crise monetária em Bangladesh, a temperatua, a muriçoca. Para cada duas palavras digitas, uma coçada. Um vermelhidão começa a aparecer, sua coluna começa a dançar, tentando em vão se coçar com a cadeira. Ele amaldiçoa o dia que escolheu comprar essa cadeira acolchoada, bom mesmo eram aquelas cadeiras de antigamente: madeira e farpas. Eu amaldiçou a modernidade e o teclado que começou a travar a maldita tecla e agora existe um espaço de 33 letras entre o "car" e o "ro" na palavra carro. Desiste-se de escrever quando sabe-se que o leitor irá tremer mais a lingua tentando pronunciar a palavra do que quando beija. Por sinal, a quanto tempo ele não beija...

Ai!
Maldita moriçoca!
Ahhh....
De repente um lampejo de verdade. Acabei de matar a chupada dos últimos tempos.





Marcel Santiago Soares
-psicólgo e palhaço de nascença-

domingo, 12 de agosto de 2007

Pedinte teatral

Uma criança me pediu essa semana para dar-lhe uma moeda. Na verdade ela disse "Tiu, me dê uma moeda pra eu dar de comer pra minha familia que ta passando fome..." e fez cara de tristeza. Eu, como todo ser humano que se preza, diante dessa circunstancia não dei.

Não é por nada não, é que eu não acredito que sofrimento seja um bom motivo pra se conseguir algo. A não ser pena. Acredito mesmo que as pessoas dão o dinheiro não para que o moleque/pivete/trombatinha/gurí (dependendo de que parte do Brasil você more) mas para que ele suma de sua vista.

Numa tentativa de demonstrar um pouco de compaixão resolvir demonstrar minhas capacidades malabaristicas para os meninos e assim mostrar uma nova maneira de ganhar dinheiro. Não deu certo. Tudo que consegui foi um pouco de aplausos e uma leve impressão deles que não servem para aquilo.

Ainda assim, continuo jogando as coisas para o ar e pegando no final entre repetir a mesma frase várias vezes para ganhar dinheiro. Para isso, existe teatro.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Lapsos do dia

Às vezes, e só de vez enquando mesmo, bem de noitinha quando chego em casa depois dos acontecimentos diarios, depois da rotina, e depois das ações. Depois de tudo, me dá um frio na espinha como se nada disso valesse a pena.



Marcel Santiago Soare
-psicólogo e palhaço por nascença-

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

P...

Tento não me apegar as coisas. Facilita muito quando você tem que desfazer. Conheço os prós e os contras disso. Conheço tudo isso e muito mais. Já li Paulo Coelho e sei quais frases feitas podem se encaixar nesse problema.

E não importa o quanto esteja desapegado. Me pego perdido quando perco uma penca de chave.

E nessa hora me pego pensando : puxa, que penca de problema pensar.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-