domingo, 25 de maio de 2008

Da sina da espera ou Ensaio sobre qualquer palavra sua.

Das moções do apaixonado, das coisas que lhe movem aquela que mais o fazem (ou fazem mover no mesmo lugar) é a resposta. Quer dizer, a espera.

Depois de finalmente mecher-se (convenhamos que tal ação é planejada durante tempos) nosso herói espera a resposta. Nem precisa pergunta. Não existe coragem para perguntar. A resposta é outra ação. Qualquer ação. Qualquer mesmo. Sério. Por favor, diga a ela que faça alguma coisa. Por favor...

Na espera infinita de um recado, uma mensagem, uma fofoca, o enamorado corre, torce, morre no próprio eixo. Reverbera em cada/todas as moléculas a tensão de esperar. Ah, como enlouquece ele, achando que o mundo prega peças e dessas peças de teatro mudo, silencioso e dissimulado. Ali está a noticia, com certeza. Certeza? ...certeza..?...é, tomara.

Ah, esses seres pacientes. Tão pacientes que se comem de angústia.

Corre uma lenda que existe um modo de sobreviver ao martirio, porém segredos assim são guardados a sete chaves. Mas... aqui entre nós...sabe-se apenas que os poucos sobreviventes escrevem hoje em blogs sobre suas sinas.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

Um comentário:

Anônimo disse...

O silêncio não é igual para todos. O silêncio ecoa de maneiras variadas, frequência baixas e altas em meio as loucuras de uma mente confusa. Dúvidas e vontades remetem a necessida de resposta para tudo e de todos. Necessidade criada de um silêncio que me toma mesmo que por uma fração de segundo, mesmo que o silêncio não vem do concreto e literal nome que denomina esse nada, mas o silêncio de palavras brandas..enfim..loucuras de alguém que um dia quis responder a si mesmo. palavras, palavras e mais palavras que formam algo que só o tempo mostra com ações e reações.