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segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Rorschach e seus fogos


Ah, o reveillon...

Eu acho essa uma das palavras mais engraçadas do nosso vocabulário, e quem sabe até do mundo, já que é uma coisa global. Tem um fonema todo único, uma mistura de letras que sempre me faz pensar como se escreve "reveioon" antes de escrever. E eu só uso essa palavra uma vez por ano...

Além da fonética peculiar essa palavrinha possui um quê qualquer que me faz gastar o primeiro dia do ano com ela. Não são as milhões de pessoas amoltoadas em praias com areia nos sapatos, nos olhos e em outros buracos (dependendo do nível alcoolico); não é a felicidade geral (quase uma histéria em massa); não é nada disso. São aqueles benditos fogos. Não que eu não ache bonito ver todas aquelas cores pipocando no ar, formando figuras que me lembram Rorschach... é que depois de dois minutos a coisa não passa daquilo. Alguns estouros, uma cor um pouco mais diferente. Nada mais.

Vi no jornal que em Copacabana os fogos duram 16 minutos. Caramba, dessezeis minutos.. eu canso só em escrever isso. Imagino um pai de familia com seu filho nos braços, a outra menininha sentada na areia do chão puxando a barra de sua calça, o irmão bêbado ao seu lado brigando com a mulher, areia fina nos olhos... Dezesseis minutos disso, novecentos e sessenta segundos. E sorriso. Quem já se viu começar o ano com a cara fechada? Sorria, ao menos nos primeiros novecentos e sessenta segundos.

E as pessoas pedem paz...

Eu preciso só de um remédio pra torcicolo.



Marcel Santiago Soares
-psicologo e palhaço e nascença-