quarta-feira, 18 de junho de 2008

Comandos em Ação

Sou desses bonecos articulados, maleaveis e engraçados. Desses que se guarda na estante ou que fica na pilha com vários outros quebrados.

Sou dos que se suja na brincadeira, se machuca na presepeira. Sou desses bonecos baratos, mas que se gosta por tar do lado.

Sou qualquer brinquedo. Mas, por favor, não brinque comigo que eu sou só carne e sentimentos, não brinque que dói e tenho medo.





Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Canelando

Não sou um homem muito açucadaro, prefiro mesmo os salgados. Mas nos ultimos tempos eu me descobri gostando de doce. Não desses doces pré moldados, industrialmente fabricados sem graça e com embalagem colorida.

Gosto de um doce caseiro. Desses que a embalagem é bonita por ser simples, em que agente guarda na mesa e nem meche, fica só admirando. Doce de canela imaginando o sabor e o odor ( e quiçá a dor do ardor) mas ainda assim nem meche.




E, como criança, por um impulso se tira o doce da mesa... e , como criança, o doce escorrega e quase cai. Sobra só medo infantil de que o vaso tenha quebrado.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Esquizofrenia matutina

Escutou a voz e acentiu com a cabeça. Concordava e era quase impossível discordar. Não era desses sujeitos que vêm coisas, nem dos que escutam vozes mandando fazer algo. Não, era na verdade desses sujeitos normais. Normais mesmo, quase sem graça. Mas de vez enquanto, quando trancado no banheiro fazendo essas coisas que só se faz no banheiro (caretas, moicanos punks de condicionador e cuspir água do chuveiro) ele mudava. Mudava mesmo. Sério. Digo mesmo. Bom, se não acredita que mude a página, mas que mudava mudava.

Bom, voltemos a mudança: ele mudava. E era nessas horas que escutava a voz dizendo o quanto era idiota, ingênuo e patético. Que sempre fora e todos percebem isso. Lá, nessas horas, ele escutava as coisas que ninguem gosta de ouvir. E escutava muito mais, mas por pena do pobre coitado que fique só registrado que ele escutava, e mudava.

Da última vez ele escovava os dentes quando, no momento delicado da passagem do canino para o pré-molar ele percebeu. Não só percebeu como quando abriu a boca já escutou. Foi quando disse para si mesmo que, de repente, ela estava sendo só simpática e , de repente, ele estava sendo só e de novo idiota.

Foi dizendo isso que, novamente, teve vergonha alheia de si mesmo.

E continuou escovando os dentes, sendo um idiota sorridente.




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 25 de maio de 2008

Da sina da espera ou Ensaio sobre qualquer palavra sua.

Das moções do apaixonado, das coisas que lhe movem aquela que mais o fazem (ou fazem mover no mesmo lugar) é a resposta. Quer dizer, a espera.

Depois de finalmente mecher-se (convenhamos que tal ação é planejada durante tempos) nosso herói espera a resposta. Nem precisa pergunta. Não existe coragem para perguntar. A resposta é outra ação. Qualquer ação. Qualquer mesmo. Sério. Por favor, diga a ela que faça alguma coisa. Por favor...

Na espera infinita de um recado, uma mensagem, uma fofoca, o enamorado corre, torce, morre no próprio eixo. Reverbera em cada/todas as moléculas a tensão de esperar. Ah, como enlouquece ele, achando que o mundo prega peças e dessas peças de teatro mudo, silencioso e dissimulado. Ali está a noticia, com certeza. Certeza? ...certeza..?...é, tomara.

Ah, esses seres pacientes. Tão pacientes que se comem de angústia.

Corre uma lenda que existe um modo de sobreviver ao martirio, porém segredos assim são guardados a sete chaves. Mas... aqui entre nós...sabe-se apenas que os poucos sobreviventes escrevem hoje em blogs sobre suas sinas.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Reset

Meu computador quebrou, e foi a mais ou menos tanto tempo que nem lembro. Sem o reloginho do canto direito inferior eu fico perdido. Perdido mesmo. Sem a janelinha do msn subindo não sei da existencia das pessoas, nem do estado de espírito pelo nick delas. Não sei quem gosta de mim por não saber que quis deixar um recado no meu orkut.

Perdi também a impressão que tinha de cada uma delas. Ficou tudo mais confuso do que já era antes. Sabe aquela menina que tem uma foto meio de lado, num angulo estranho que você só tira porque a câmera é digital e não precisa pagar a relação da foto? Pois é...achava que ela era tão interessante, diferente, alternativa, legal e mais alguns adjetivos bons. Mas vista de um angulo normal...ea ficou tal ... normal!

Não sei o quanto sou sexy, e como deixei de escrever aqui também não sei o que penso sobre as coisas. Fiquei parado, travado, quando percebi que tinha saido para dar uma volta. Demorou um pouco para perceber que poderia recomeçar sem ctrl + alt + del.

Por fim, tive que olhar meu profile para saber qual era meu nome.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

domingo, 20 de abril de 2008

Parada estratégica para pensar.

-Com licença. Vou ali e volto já.

[...]

-Pronto, voltei. Vamos continuar?




Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 5 de abril de 2008

Riso de canto de boca

Acho graça daqueles que, de graça, acham que graça é o que tenho para oferecer.

Acho cara aquela graça quase forçada de quem, meio sem graça, quer se engraçar com meu prazer.

Acho pouco daqueles bobos que, desembestadamente, gracejam de um louco.

Acho nada. Louco não é bobo.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-