sábado, 16 de fevereiro de 2008

Replay

Na cena ao lado do computador a protagonista/vilã (caracteristicas que parecem se chocar) acaba de voltar a vida. Na realidade ela voltou a vida ontem, hoje é apenas uma reprise de sua morte.

Se dá pra morrer mais de uma vez? Depende de quantas vezes se entrega. Depende de uma série de coisas, incluindo a cotação do dollar que anda variando muito e bala hoje em dia está ao preço dos olhos.

Agora o antagonista/vilão tenta matar a protagonista/vilã enquanto prende a coadjuvante/boazinha! Ah, que confusão é morrer.

Acabo achando que esse povo na novela nunca se apaixona.
E agente ainda quer ser igual a eles...


Marcel Santiago Soares
-psicologo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

No sal grosso

Quando penso em você choro.
Choro lagrimas salgadas que é pra temperar sua pele.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Na ponte do rio que cai

Às vezes eu gosto de relativizar. Sentado na mesa da lanchonete penso no garçom que serve a todos. Penso nos amigos na mesa ao lado e em quantos amigos já passaram por ali. E que para o garçom não existe nenhuma diferença entre nós a não ser o insistente desejo por ausencia de ervilhas da minha parte.

Às vezes eu gosto de ser tirano. Totalitário mesmo. Acordo e tenho a completa certeza que o mundo esta um pouco mais cinza ou verde-alaranjado graças ao meu humor matinal. E que eu alucino a existência de muitas coisas, incluindo a desde escrito ou de qualquer pessoa que possa lê-lo.

Às vezes eu estou nem lá nem cá. Nessas horas eu escrevo.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

sábado, 5 de janeiro de 2008

Atrazos de vida.

No sol quente do ponto de ônibus ele, tão sóbrio de suas emoções, respira profudamente. Puxa o ar com tal calma- até o fim- que depois de sentir-se momentaneamente completo, esvazia-se.


Marcel Santiago Soares
-psicológo e palhaço de nascença-

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Conversas de internet.

Ao contrário do que se pensa o amor esta cheio de razão.
Cabe ao enamorado procurar razões nos seus sentimentos, nas ações indefinidas, na angustia repentina. Procura razão naquilo que não controla, para assim entender o funcionamento e saber como agir.
O enamorado procura disfarçar aquilo que o faz enamorado. Tenta enganar-se para não mostra aos outros seu estado patetico de ser que não se controla. O enamorado é vulneravel e exatamente isso que o faz enamorado.

Dai a razão no/do amor. Procurar o controle para depois perder-se.


ps: o autor está excessivamente influenciado por outros autores franceses e gosta de admitir isso.


Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Preparar! Apontar! Já!

O ano começou e nesse exato momento zeraram o cronômetro. O cara lá em cima gritou "vai!" e lá embaixo o outro botou o pé pra gente cair já na largada.

Começou! Doze meses para ser qualquer coisa. É impressindível que se mude. Nunca ouviu-se falar em alguém que não mudasse na passagem de ano. As opções são as seguintes:

CENA 1
Marido empolgado entre na porta sorrindo
-Carlos, é você?
-Amor, decidi minha resolução de ano novo!
-O que? Vai parar de beber? Fazer regime? Ah, vai pedir aquela promoção? Deixar mamãe morar conosco? Me dar seu cartão de credito? Hum... Carlinhos... vai fazer amor comigo mais de uma vez na semana?
-Como! Não, não. Escuta só, tive a ideia mais genial do milênio - depois do miojo é claro-. Esse ano desejarei não mudar. Vou continuar o mesmo gordo, preguiçoso, patetico, masturbador de internet de sempre! E ai? Hã?
-Mas querido, qual a graça de virar o ano e não mudar nada? É como comer e não expludir no natal! É quebrar a tradições! E o que é uma familia sem tradições? O que é, me diga senhor Carlos, me diga!Pense bem no que o senhor esta fazendo!
-Você não entende? Eu estou mudando, estou mudando o mundo! Eu mudeio o desejo de ano novo. Para que resoluções impossiveis de se realizar? Vou ser o mesmo e não me frustar esse ano. E adianto que não vou pular ondinhas que aquilo me deixa com uma dor nas costas que você nem imagina!

Carlos, como todos podem imaginar foi devidamente excluido da sociedade e hoje mora em um asilo mental pago pela familia. Ele pode ser encontrado pelos cantos sorrindo de sua grande idéia e usando a mesma cueca a três anos.

CENA 2
Um corpo é encontrado morto em um cais. A policia ilumina a escuridão com suas luzes azuis e vermelhas. No local apenas os mendigos e alguns ratos. No corpo da vítima algumas marcas de luta. A mão firme segurava uma caneta bic quebrada e na outra mão um papel rasgado. Em meio ao amassado apenas algumas letras dificeis de ler:

RESOLUÇÃO DE ANO NOVO

e ao final, quase ilegivel, com o último esforço um "ok" podia ser lido.



Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Para não dar nomes aos bois.

Escuto o outro falando para mim uma historia repetida, já foi dita várias vezes por outros-outros, nos cinemas, nos livros. Mas a historia só se repete porque eu já a vivi.
Descubro em meio as suas frases que a historia não tem fim. Parece um ciclo, mas ele possue uma vaga ideia de um começo. A história é sua dor e a dor é sempre presente.

O outro fala do seu objeto de amor, daquele que foi embora e deixou nele não a dor ( essa vem depois), deixou seu amor pairando no ar e o deixou com a cara de idiota que só os que ficam com o amor pairado no ar possuem (talvez porque a mistura das moleculas de ar com essa energia d'lamur produzam alguma substancia invisivel ao olho nu que reaja com o colegeno da face, produzindo a conhecida em todas as culturas cara-de-bobo).

O objeto de amor foi. O amor que flutuava em sua direção caiu no chão e o enamorado fita o chão paralizado, esperando que de repente, ALAKAZAM, o amor volte a flutuar e continuar sua tragetoria.

O amor, sem objeto contorse-se no chão, luta para manter-se vivo, precisa de objeto, como um peixe fora d'agua sofrendo para respirar ( O amor aqui é uma criança perdida no shopping, desesperadamente verdadeira). O outro enamorado é um sadico, olha passivo o amor esvair-se até que não possua mais nada. O objeto não é nada, já foi embora a muito tempo.


O enamorado descobre depois de muitos anos que o amor não vai se mecher. E quando percebe que é o objeto para quem deve olhar, bem... só encontra pegadas apagadas no chão...




O enamorado, furioso escreve coisas sem sentido, tentando dar sentido a seus sentimentos.





Marcel Santiago Soares
-psicólogo e palhaço de nascença-